Exportação de petróleo brasileiro chegou a 700 milhões de barris em 2025, o maior volume da história, segundo levantamento da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET) a partir de dados da ANP e do MDIC. Enquanto o óleo cru sai em ritmo recorde, o Brasil segue importando derivados mais caros, como diesel e gasolina, o que, na prática, impacta o bolso do consumidor em toda a cadeia energética.
Estrangeiras lideram vendas do pré-sal
De acordo com o presidente da AEPET, Felipe Coutinho, empresas estrangeiras – estatais e privadas – responderam por 60 % das exportações em 2025. A Petrobrás ficou com 40 %. O movimento não é novo: em 2009, a fatia dessas companhias era inferior a 10 %. O cenário revela, segundo a entidade, perda de valor agregado, já que a maior parte da receita permanece nos países de origem dessas petroleiras.
Mesmo produzindo cerca de 89 % do petróleo nacional, a Petrobrás refina grande parte de sua produção internamente, enquanto as multinacionais mandam quase tudo para fora. O resultado é um superávit comercial de US$ 35 bilhões no setor em 2025 – saldo que mascara a saída de óleo bruto barato e a entrada de combustíveis prontos, mais onerosos para o mercado interno.
Os números oficiais podem ser consultados no painel estatístico da Agência Nacional do Petróleo (ANP), órgão regulador do setor.
Diesel russo e gasolina americana dominam importações
Entre 2023 e 2025, a Rússia assumiu a liderança no fornecimento de diesel para o Brasil, superando os Estados Unidos. Já no caso da gasolina, o mercado segue amplamente dominado pelos norte-americanos, com metade das compras externas em 2025. A dependência preocupa porque o preço desses combustíveis influencia fretes, alimentos e até a conta de luz, uma vez que parte das distribuidoras de energia recorre a usinas térmicas a óleo em períodos de seca – custo que depois aparece na tarifa.
A AEPET atribui essa vulnerabilidade à política de Preço de Paridade de Importação (PPI), adotada em 2016 e parcialmente revista em 2023. De lá para cá, refinarias nacionais operaram em média 20 % abaixo da capacidade, abrindo espaço para importadores privados lucrarem com a revenda interna de derivados cotados em dólar.
No entendimento dos engenheiros, elevar o uso das refinarias e taxar a saída de óleo cru seriam caminhos para reduzir a dependência de derivados importados e, por tabela, estabilizar preços que afetam toda a população. Para saber como mudanças no setor de energia podem refletir na sua fatura mensal, acesse nossa página de notícias de conta de luz e fique por dentro.
Crédito da imagem: Petronoticias Fonte: Petronoticias