Aumento de energia continua no radar mundial mesmo após o cessar-fogo no Irã: relatório da Wood Mackenzie aponta que Japão, Coreia do Sul e Itália podem ver os custos de geração elétrica dispararem até 80% nos próximos anos, reflexo direto da dependência de combustíveis importados.
Dependência de combustíveis define o tamanho do impacto
Segundo o estudo, 64% da eletricidade japonesa e 56% da sul-coreana vêm de carvão e gás trazidos do exterior. A Itália lidera a exposição europeia com 47%. Já Estados Unidos e Brasil praticamente não sentem a pressão — vulnerabilidade entre zero e 1% — graças, respectivamente, à produção doméstica de combustíveis fósseis e à matriz brasileira com cerca de 80% de fontes renováveis, majoritariamente hidrelétricas.
Para mercados menos dependentes, a volatilidade internacional tem efeito limitado. O diretor de pesquisa da consultoria, Peter Obaldstone, explica que sistemas com geração renovável robusta ou forte produção interna de gás e carvão estão “relativamente protegidos”. No Brasil, esse cenário ajuda a manter a tarifa de energia menos sensível às crises geopolíticas.
Cenários de preço até 2026
No cenário base — com redução gradual das tensões e queda no preço dos combustíveis na segunda metade de 2026 — o custo médio de geração sobe US$ 2,3/MWh nos 13 mercados analisados. Itália, Japão e Coreia do Sul encabeçam a lista, com alta de US$ 4,3/MWh.
Já no cenário de alta sensibilidade, em que os valores atuais persistem, o salto médio chega a 26% (US$ 8,3/MWh). Os piores casos são: Itália com US$ 22,4/MWh (80% de aumento), Coreia do Sul com US$ 14,4/MWh (74%) e Japão com US$ 17,0/MWh (41%). O Reino Unido também entra na lista, registrando acréscimo de US$ 14,3/MWh (27%).
Além da elevação nas contas, a consultoria alerta para riscos de confiabilidade, especialmente onde termelétricas a gás importado dominam a oferta. A Coreia do Sul, por exemplo, já adotou medidas emergenciais de conservação para os horários de pico.
Mesmo que o Brasil esteja entre os menos afetados, choques externos reforçam a importância de diversificar a matriz e investir em renováveis domésticas, estratégia que vem ganhando força mundialmente.
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Crédito da imagem: Petronoticias Fonte: Petronoticias