Eólica offshore no Nordeste corre risco de encolher: diretriz aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) determina que parques instalados no mar fiquem, no mínimo, a 22 km da linha da costa, o que pode inviabilizar cerca de 50% dos projetos em andamento devido ao alto custo de estruturas flutuantes.
Por que 22 km fazem tanta diferença
Boa parte dos empreendimentos mapeados na região estava planejada para áreas rasas, entre 10 km e 15 km da costa, onde é possível fixar torres no fundo do mar com menor investimento. Ao empurrar as turbinas para águas profundas, a regra do CNPE obriga o uso de fundações flutuantes, tecnologia ainda cara no Brasil. A Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica) estima que o custo de geração possa subir até 30%, pressionando a viabilidade financeira dos parques.
Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), o afastamento maior visa preservar rotas de navegação, pesca artesanal e áreas de turismo costeiro. No entanto, desenvolvedores alertam que projetos já protocolados precisarão ser reestudados, atrasando cronogramas de licenciamento e assinatura de contratos de fornecimento em leilões futuros.
Impacto na expansão da matriz e na conta de luz
O Nordeste responde hoje por quase 75% da capacidade eólica instalada em terra no país. A aposta na versão offshore era diversificar a matriz, aumentar a oferta de energia limpa e, no longo prazo, ajudar a conter reajustes tarifários. Caso metade dos projetos saia do papel, estima-se a adição de até 20 GW ao sistema nacional. Com a nova distância mínima, esse número pode cair para 10 GW, reduzindo a competição e o potencial alívio nos custos de geração.
Especialistas lembram que, sem novos parques, o Sistema Interligado Nacional dependerá mais de usinas termelétricas em épocas de seca, o que encarece o kWh para o consumidor. A discussão agora se volta a possíveis incentivos fiscais ou linhas de crédito específicas que compensem o uso de tecnologias flutuantes.
Para acompanhar outras notícias sobre sua conta de luz e entender como decisões regulatórias afetam o valor final da fatura, continue navegando em nosso site.
Crédito da imagem: Eixos Fonte: Eixos