Hidrogênio verde pode ganhar impulso no Brasil se avançar a proposta da Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio (Abihv) de destinar parte dos royalties do petróleo ao financiamento de leilões voltados exclusivamente a projetos de eletrólise.
O que está na mesa do governo
A sugestão da Abihv integra um pacote de recomendações encaminhado ao Ministério de Minas e Energia como contribuição ao “Mapa do Caminho” que orientará a política federal para o hidrogênio. A entidade defende que recursos provenientes da exploração de petróleo, hoje aplicados em diferentes frentes, sejam redirecionados para leilões periódicos. A ideia é garantir contratos de compra de longo prazo, capazes de reduzir o risco dos investidores e acelerar a construção de plantas de eletrólise — processo que separa hidrogênio e oxigênio usando eletricidade de fontes renováveis.
Por que isso importa para sua conta de luz
Embora o foco principal seja criar um novo mercado de combustível limpo, a medida pode afetar o bolso do consumidor a médio prazo. Ao incentivar a eletrólise, o governo estimula a expansão das fontes renováveis, como solar e eólica. Quanto maior a participação dessas fontes no sistema, menor a dependência de térmicas caras que costumam elevar a bandeira tarifária. Em outras palavras, mais hidrogênio verde amanhã pode significar menos pressão sobre o kWh que você paga hoje.
Além disso, a injeção de royalties em projetos de inovação evita que subsídios recaiam diretamente sobre a tarifa do consumidor, modelo já utilizado para bancar programas como Luz para Todos. Segundo o Ministério de Minas e Energia, o Brasil possui potencial para produzir até 1,8 milhão de toneladas de hidrogênio de baixa emissão até 2030, reforçando a necessidade de mecanismos estáveis de financiamento.
Se for acolhida, a proposta da Abihv ainda dependerá de ajustes legislativos para permitir o uso direcionado dos royalties e de regulamentação específica sobre critérios, periodicidade e volumes dos leilões.
O debate segue aberto e pode redefinir não apenas o mercado de combustíveis, mas também a forma como pagamos pela eletricidade. Para acompanhar outras mudanças regulatórias que impactam sua fatura, visite nossa página de prazos e regras e fique informado.
Crédito da imagem: Eixos Fonte: Eixos