Gás natural mais caro é a primeira consequência dos novos bombardeios do Irã à zona industrial de Ras Laffan, no Catar, onde fica a maior planta de GNL do planeta. A paralisação, antes estimada em dois meses, agora deve se estender, retirando do mercado 80 milhões de toneladas por ano – quase 20% da oferta global.
O que aconteceu em Ras Laffan
Segundo a consultoria Wood Mackenzie, mísseis danificaram novamente a instalação Pearl GTL e outras unidades de liquefação. Antes do ataque desta semana, a previsão era de quatro a seis semanas para religar as plataformas e mais sete dias para cada trem de liquefação ganhar ritmo. Com os estragos adicionais, esse calendário ficou inviável: cada mês parado reduz em cerca de 1,5% a disponibilidade anual de GNL no mundo.
O atraso também atinge a expansão North Field East, que adicionaria 32 Mtpa a partir de novembro de 2026. O cronograma já havia sido empurrado para 2027 e agora pode furar até 2028, travando o crescimento da oferta justamente quando a demanda volta a subir no hemisfério Norte.
Impacto no bolso do consumidor brasileiro
No Brasil, o gás natural é usado em térmicas que seguram o fornecimento de eletricidade nos períodos de seca. Com menos GNL no mercado e preços internacionais elevados, as distribuidoras locais pagam mais caro pela molécula, o que pressiona o custo de geração. Se a situação persistir, pode haver reflexo nas bandeiras tarifárias da conta de luz e no valor final pago pelos consumidores domésticos.
Para mitigar riscos, analistas esperam que produtores de GNL de outras regiões adiem manutenções e elevem a produção onde for possível. Ainda assim, a Wood Mackenzie alerta que o sistema é pouco flexível para substituir rapidamente um volume tão grande de gás. A recomendação geral é diversificar fornecedores, algo já discutido por importadores asiáticos e europeus. Uma análise detalhada sobre a escalada de preços de energia pode ser conferida no G1 Economia.
O cenário reforça a importância de acompanhar variações no custo de geração e seus reflexos na sua fatura. Para ficar por dentro de outros ajustes e notícias de conta de luz, continue navegando pelo nosso site.
Crédito da imagem: Petronoticias Fonte: Petronoticias