Fusões e aquisições de petróleo movimentaram apenas US$ 18 bilhões em 2025, praticamente o mesmo valor de 2024 e muito distante da média histórica anual de US$ 60 bilhões, revela o novo Relatório Internacional de M&A da Enverus Intelligence Research (EIR).
América Latina concentra metade dos negócios
O levantamento mostra que Brasil e Argentina responderam por 50% do valor negociado globalmente. Na Argentina, o xisto de Vaca Muerta viveu o ano mais ativo desde 2014, graças à entrada de operadores regionais que aproveitaram a saída de grandes companhias internacionais. Já no Brasil, majors e petroleiras nacionais continuaram a vender campos offshore maduros para empresas locais, ao mesmo tempo em que reforçam investimentos seletivos em projetos de águas profundas considerados de maior retorno.
Segundo Andrew Dittmar, principal analista da EIR, o ritmo atual “é menos uma questão de apetite e mais de disponibilidade” de ativos de qualidade. Com poucas oportunidades de scale-up, as grandes empresas priorizam crescimento orgânico, enquanto independentes e fundos privados assumem campos maduros ou participações menores alienadas por essas majors.
Majors recuam e investidores privados ganham espaço
Desde 2024, companhias independentes listadas em bolsa e empresas privadas, como a Vista Energy, respondem por 70% do valor das aquisições fora da América do Norte. Exemplos de grandes transações envolvendo majors tornaram-se raros: entre eles, a compra da Hess pela Chevron em 2023, focada nos ativos na Guiana, e a troca de ativos da TotalEnergies na Namíbia no fim do ano passado.
Outro fator que freia o negócio é a avaliação mais conservadora dos ativos maduros. A queda dos preços do petróleo ao longo de 2025, somada ao aumento de vendas forçadas por empresas em dificuldade, reduziu múltiplos de produção e fluxo de caixa. “Os compradores estão atentos a custos operacionais e aos passivos de descomissionamento”, destaca a EIR.
Analistas não esperam aceleração significativa para 2026, a menos que novos projetos em fase de desenvolvimento sejam colocados à venda ou que valores sustentados do barril estimulem a busca por expansão de oferta. A própria Agência Nacional do Petróleo (ANP) observa que a volatilidade de preços amplia a diferença entre o que vendedores pedem e o que compradores aceitam pagar.¹
Entender como movimentos globais de M&A impactam investimentos e, no fim das contas, o custo da energia é essencial para o consumidor. Se você quer acompanhar outras mudanças que podem refletir na sua fatura, visite nossa seção de notícias da conta de luz e fique por dentro.
Crédito da imagem: Petronoticias Fonte: Petronoticias