Energia nuclear no Brasil ganha novo impulso à medida que bancos e grandes empresas voltam a apostar na fonte como peça-chave para garantir eletricidade firme, reduzir emissões e, no longo prazo, dar mais estabilidade às tarifas da conta de luz.
Financiamento reforça expansão nuclear
Relatório do BTG Pactual mostra que, após quase três décadas de estagnação, a energia nuclear voltou ao radar de investidores graças às metas globais de carbono zero até 2050. Segundo o banco, a Conferência do Clima (COP) estabeleceu o compromisso de triplicar a capacidade nuclear no mundo, o que reacendeu a procura por projetos no Brasil e no exterior.
O estudo aponta que companhias de tecnologia e conglomerados industriais já firmam contratos de longo prazo para compra de energia nuclear, prática que reduz riscos financeiros e garante demanda aos empreendimentos. Além disso, o preço do urânio saltou de US$ 27,75 por libra, em fevereiro de 2019, para US$ 101 em janeiro de 2024, sinalizando mudança estrutural na oferta e na procura pela commodity.
Apesar do alto investimento inicial, reatores têm vida útil superior a 60 anos e custos operacionais baixos quando comparados a fontes fósseis. Esse perfil dilui o desembolso ao longo de décadas e pode evitar oscilações bruscas na tarifa de energia para o consumidor.
SMRs e associações aceleram projetos
Uma das apostas para ampliar a participação nuclear são os pequenos reatores modulares (SMRs, na sigla em inglês). Com potências entre 50 MW e 300 MW, eles podem ser fabricados em série, reduzindo atrasos e melhorando a previsibilidade de custos, destaca o BTG. Essa flexibilidade agrada tanto investidores quanto governos preocupados em suprir a crescente demanda de data centers e inteligência artificial com energia limpa e constante.
Em paralelo, 25 associações do setor assinaram declaração internacional defendendo a fonte como elemento essencial da transição energética. A Associação Brasileira para Desenvolvimento de Atividades Nucleares (ABDAN) participou do documento, cujo objetivo é atrair novos investimentos para projetos como Angra 3 e futuros SMRs no país.
O Ministério de Minas e Energia também reconhece o valor estratégico da tecnologia, como mostra publicação oficial (gov.br/mme), citada pelo estudo.
Enquanto o debate avança, consumidores acompanham de perto: quanto maior a oferta de geração estável, menores as chances de acionamento de termelétricas caras que pressionam a bandeira tarifária. Para seguir atualizado sobre notícias que podem refletir na sua fatura de luz, visite nossa seção de notícias de conta de luz e descubra outras formas de proteger o seu bolso.
Crédito da imagem: Petronoticias Fonte: Petronoticias