Energia a partir de resíduos pode virar realidade em larga escala no Brasil caso avance o Programa Nacional de Recuperação Energética de Resíduos (PNRE), defendido pela Associação Brasileira de Energia de Resíduos (ABREN). A entidade alerta que, sem um marco legal específico, o país seguirá longe do potencial de 3,3 GW de potência firme estimado até 2050.
Primeira usina fica pronta em 2027, mas ainda é pouco
Barueri, na Grande São Paulo, receberá a primeira Unidade de Recuperação Energética (URE) do país, com início de operação comercial previsto para janeiro de 2027 e mais de 70% das obras concluídas. Outras duas usinas, Bandeirante (Loga) e Pirapora (Ecourbis), ambas de 30 MW, aguardam licenciamento para estrear em 2029. Atualmente há 410 MW em projetos espalhados por várias capitais, porém apenas esses três empreendimentos já foram contratados.
Desafios passam por regras, não por tecnologia
De acordo com o presidente da ABREN, Yuri Schmitke, a entrevista concedida à emissora Band reforçou que o principal obstáculo é regulatório. Falta um “balcão único” para compra da energia gerada pelas UREs, mecanismo comum na Europa e na China. Projetos de lei como o PNRE (PL 924/2022) e o Metano Zero (PL 3.311/2025) podem oferecer previsibilidade contratual e destravar investimentos. Segundo o Ministério de Minas e Energia, iniciativas de recuperação energética também contribuem para cortar emissões de metano e reduzir a pressão sobre aterros sanitários.
Impacto direto na conta de luz e no meio ambiente
A geração de eletricidade a partir dos resíduos sólidos urbanos cria uma fonte estável de energia limpa, o que ajuda a diluir custos do sistema e pode refletir na moderação das tarifas pagas pelos consumidores no médio prazo. Além disso, a integração com programas como Combustível do Futuro, que prevê a adoção de SAF (combustível sustentável de aviação), abre novas frentes de mercado para resíduos antes descartados nos lixões.
Para que esse cenário se torne realidade, ABREN planeja estudos, missões internacionais e o 7º Congresso de Energia de Resíduos, em julho, reunindo empresas e governos para trocar experiências bem-sucedidas e atrair capital estrangeiro.
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Crédito da imagem: Petronoticias Fonte: Petronoticias