Crise energética em Cuba ganha novo capítulo com a entrada maciça de investimentos russos e chineses, que ocupam o espaço deixado pelos Estados Unidos e tentam garantir combustível e infraestrutura à ilha, hoje mergulhada em longos apagões.
Navios russos levam diesel para aliviar apagões
Depois de o petroleiro Anatoly Kolodkin descarregar cerca de 300 mil barris de petróleo em março, o navio Universal atravessa o Atlântico com mais 251 mil barris de diesel, segundo a plataforma Tanker Trackers. A embarcação faz parte da chamada “frota fantasma” de Moscou, que costuma declarar destino apenas ao se aproximar de Havana. O Ministério da Energia russo, por meio de Sergey Tsivilev, já sinalizou novos carregamentos para sustentar a segurança energética cubana.
Washington acompanha o movimento: o governo norte-americano impôs sanções a navios como o Sea Horse, também usado no transporte de petróleo russo. Ainda assim, autoridades russas, como o vice-chanceler Sergey Ryabkov, afirmam não ter intenção de sair do hemisfério ocidental e rejeitam qualquer “nova Doutrina Monroe”.
China moderniza indústria de níquel e mantém regime abastecido
Enquanto o diesel russo tenta manter usinas funcionando, a China investe na Companhia de Níquel Comandante Ernesto Che Guevara, em Moa. O país asiático instalou gratuitamente um tanque de sedimentação que, segundo o gerente-geral Alexander Garcés, é “vital” para elevar a eficiência da planta. O metal é uma das principais fontes de divisas de Havana e, portanto, estratégico para o regime de Miguel Díaz-Canel.
Com as ruas de Habana del Este e Diez de Octubre às escuras por até 30 horas, autoridades locais justificam cortes como “desligamentos voluntários” para proteger a rede. A população, entretanto, enfrenta fila para combustíveis, perda de alimentos e repressão a protestos, cenário que agrava a já delicada situação econômica da ilha.
Analistas ouvidos pela CNN Brasil Economia lembram que o vazio deixado pelos EUA – concentrados em tensões no Oriente Médio – abriu caminho para acordos que reforçam o poder de Moscou e Pequim no Caribe.
Os cargueiros russos e os equipamentos chineses podem reduzir, mas não eliminar, a dependência cubana de parceiros externos. E, enquanto o impasse geopolítico prossegue, consumidores seguem sofrendo com falta de energia, cenário semelhante aos episódios de corte de energia que conhecemos no Brasil. Para acompanhar mais análises sobre fornecimento elétrico e seus impactos, continue navegando em nosso site.
Crédito da imagem: Petronoticias Fonte: Petronoticias