Conta de luz mais cara pode ser a consequência indireta do impasse que trava a conclusão da usina nuclear Angra 3 e aperta o caixa da Eletronuclear, aponta o balanço financeiro divulgado pela estatal.
Obra parada drena recursos e gera alerta de R$ 24 bilhões
No documento, a companhia lembra que Angra 1 e Angra 2 seguem operando normalmente, mas admite a necessidade urgente de retomar Angra 3 para reequilibrar as finanças. Para finalizar o canteiro, ainda são estimados R$ 24 bilhões em investimentos. O problema é que a Eletronuclear não tem mais ativos livres para oferecer como garantia e, por isso, não consegue novos financiamentos.
Em 2024, a estatal obteve uma suspensão temporária no pagamento de juros e principal ao BNDES e à Caixa Econômica, mas os pedidos de waiver para estender a folga até 2026 foram negados. Sem dinheiro novo, a empresa teve de usar recursos próprios só para manter equipamentos preservados. O balanço revela que, em setembro de 2024, o caixa exclusivo de Angra 3 zerou, forçando saques do caixa corporativo.
Manutenção já consumiu R$ 4 bilhões em quatro anos
Somente entre 2021 e 2024, a Eletronuclear gastou R$ 4 bilhões na conservação da obra parada — montante capaz de erguer 30 mil casas populares. Para evitar uma crise de liquidez, a diretoria sacou R$ 400 milhões do Fundo de Descomissionamento, que originalmente serve para desativar Angra 1 e 2 no futuro. Mesmo assim, o saldo atual do fundo caiu para R$ 3,3 bilhões.
O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) discutiu o tema três vezes desde 2024. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, votou a favor da retomada, mas pedidos de vista coletiva adiaram todas as decisões. Enquanto isso, bancos mantêm a liberação de crédito condicionada a um aval definitivo. Segundo a página oficial do Ministério de Minas e Energia, Angra 3 acrescentaria 1,4 GW ao sistema, energia suficiente para abastecer cerca de 3 milhões de residências.
Por que o consumidor deve ficar atento
Quando uma obra desse porte atrasa, os custos de capital e de manutenção tendem a ser incorporados à tarifa de energia por meio de ajustes anuais determinados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). Quanto maior a conta da Eletronuclear, maior a pressão para repassar despesas ao consumidor, elevando o valor do kWh nas próximas revisões tarifárias. Além disso, a falta de definição pode obrigar o país a contratar termelétricas mais caras para garantir o suprimento, o que também encarece a bandeira tarifária.
O cenário mostra como decisões de infraestrutura refletem diretamente na fatura mensal. Para acompanhar outras notícias que impactam sua conta de luz, continue navegando no portal e saiba como se preparar para possíveis reajustes.
Crédito da imagem: Petronoticias Fonte: Petronoticias